As eleições gerais de 2026 estão registrando um aumento notável no número de candidaturas LGBT+, com 514 nomes já confirmados. Este crescimento de 57% em relação a 2022 reflete uma mudança significativa no cenário político brasileiro.
O Instituto Plena Cidadania, que se dedica a ações relacionadas à democracia e aos direitos humanos, divulgou esses dados na terça-feira (18). O levantamento revela que, ao contrário da tendência geral de queda no total de candidaturas, a participação LGBT+ na política quase dobrou em proporção. Em 2022, a representatividade LGBT+ era de 1,12%, e cresceu para 2,5% em 2026.
Aumento em Diferentes Esferas
Historicamente, a relação entre candidatos LGBT+ e o total de concorrentes é desigual. Em 2022, havia uma candidatura LGBT+ para cerca de 90, enquanto agora essa proporção se melhorou para um candidato LGBT+ a cada 40 concorrentes.
Especificamente para a Câmara dos Deputados, a quantidade de candidaturas saltou de 116 para 214, o que representa um aumento de 84%. Nas assembleias estaduais e distrital, o número cresceu de 205 para 279, evidenciando um aumento de 36%.
Gui Mohallem, membro da diretoria do Instituto Plena Cidadania, ressalta que a dispersão das candidaturas LGBT+ entre os partidos também se ampliou: “Em 2022, esses candidatos estavam em 23 das 32 legendas, enquanto agora estão presentes em 27 dos 30 partidos que concorrem”.
“Os partidos perceberam que o público LGBT+ gera mais votos pelo investimento realizado. Essa explosão de candidaturas indica que finalmente estão reconhecendo o potencial eleitoral dessa comunidade.”
A análise também destaca o financiamento das campanhas. Em 2024, mais da metade das lideranças LGBT+ eleitas por partidos centristas e de direita não receberam apoio financeiro, contrastando com apenas 20% entre candidatos de partidos mais à esquerda.
Crescimento Regional
Notavelmente, o aumento das candidaturas LGBT+ foi mais expressivo fora das regiões Sul e Sudeste, com a Região Norte apresentando um crescimento de 141%, seguido pelo Centro-Oeste com 88% e Nordeste com 82%. Apesar disso, a região Sudeste ainda detém a maior concentração absoluta de candidaturas, embora tenha diminuído de 37,6% para 31,3% do total.
A regionalização do crescimento é clara: o Norte viu candidaturas subirem de 22 para 53, o Centro-Oeste de 41 para 77, e o Nordeste de 73 para 133, enquanto o Sudeste permanece liderando com 161 candidaturas.
“Focamos mais fora do Sudeste nos últimos três anos, onde há uma maior necessidade de organização,” afirmou Gui, lembrando que, em 2022, os candidatos LGBT+ obtiveram cerca de 3,5 milhões de votos.
Aliado a isso, as candidaturas também estão se diversificando entre diferentes partidos, deixando de estar predominantemente em PT e PSOL, embora esses ainda mantenham a dianteira.
Atuação Legislativa e Inclusão Social
Os representantes LGBT+ não se limitam apenas às questões de sua identidade, mas também abordam temas sociais amplos. “A cidadania plena é negada não só a LGBT+, mas também a deficientes, mulheres, negros e moradores das favelas. Assim, quando candidatos LGBT+ alcançam cargos, vêm com uma bagagem significativa para atender as demandas da população”.
Base Metodológica da Pesquisa
Os dados foram obtidos através de registros no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na plataforma VoteLGBT, que considera tanto as candidaturas autodeclaradas quanto aquelas com autorização de divulgação. É importante observar que novos registros podem ser acrescentados e as informações atualizadas periodicamente durante a campanha.
A iniciativa VoteLGBT foi lançada em 2014 com o objetivo de conectar eleitores brasileiros a líderes LGBT+ comprometidos com os direitos humanos e a representatividade política.
Fonte: Agência Brasil/EBC








