O impacto positivo do voluntariado na vida de pessoas em situação de vulnerabilidade é inegável. A psicóloga Esly Carvalho, experiente profissional de Brasília, tem dedicado seu tempo a causas humanas, especialmente em contextos de tragédias naturais, como terremotos e guerras. Neste Dia Nacional do Voluntariado, celebrado em 28 de agosto, ela e outros colaboradores da saúde ressaltam que a doação de tempo é recompensadora, tanto para quem recebe quanto para quem oferece.
Com mais de 45 anos de atuação, Esly se colocou à disposição para formar equipes que auxiliam pacientes em estado de estresse pós-traumático.
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“Realizamos intervenções em grupo em situações de crise de forma muito eficaz”, assinala Esly. Ela apóia uma técnica chamada EMDR, que auxilia na liberação de memórias traumáticas.
Após o terremoto na Venezuela, que resultou em mais de 6 mil mortes, Esly implementou um programa de suporte para os profissionais da saúde local. “Já capacitamos mais de 100 colegas, permitindo que atendam mais de 500 pessoas”, acrescenta.
A equipe da psicóloga, junto com ela, realiza atendimentos online às quintas-feiras. “Nosso trabalho é oferecido sem custos”, afirma.
Deglya Flores, uma psicoterapeuta de Caracas, é uma das profissionais que começaram a receber treinamento imediatamente após o terremoto. “O contato foi feito por videoconferência e eu fiquei bastante afetada com as imagens das destruições”, relembra.
“O resultado foi surpreendente, pois estávamos todos muito abalados. Eu estava atormentada pela magnitude da dor e desespero generalizados.”
Ela destaca que apenas 17 terapeutas especializados estão disponíveis na Venezuela.
Os atendimentos também estendem-se a vítimas do tremor na Colômbia, com a ajuda de um grupo de voluntários dedicados a escutar e oferecer apoio em acampamentos situados na região mais afetada.
A psicóloga brasileira expressa satisfação ao poder capacitar pessoas em condições adversas, enfatizando que essa troca de conhecimento é valiosa. “Voluntariar preenche um espaço especial dentro de mim”.
Seis inspiram sete mil
Uma outra ação de voluntariado voltada para a saúde mental teve origem em São Paulo, em 2017, por meio de um grupo de seis amigos que, após superarem crises depressivas, deixaram mensagens de apoio em viadutos da cidade.
“Colocávamos nossos telefones e as pessoas entravam em contato conosco”, recorda Felipe Santos, atual coordenador do projeto Help.
Hoje, essa pequena equipe se expandiu para 7 mil voluntários em todo o Brasil, com uma conta no Instagram que possui 389 mil seguidores.
Profissionais de saúde mental realizam palestras em escolas e oferecem serviços de escuta em lugares como rodoviárias e parques. Chamados de “cantinho do desabafo”, esses encontros têm sido organizados para atender jovens, especialmente na estação de trem de Francisco Morato, esta semana.
“Nosso foco é especial para os adolescentes, que têm sofrido mais com ansiedade e depressão”, ressalta Felipe Santos.
O auxílio também está disponível remotamente, começando por mensagens via WhatsApp.
Ele observa que a procura por ajuda tem aumentado entre os jovens, que relatam diversos problemas emocionais, principalmente relacionados ao uso excessivo de tecnologia e apostas online.
Foco na Prevenção
Em Brasília, Thiago Domingos, 31 anos, militar da Marinha, se tornou voluntário após constatar casos de suicídios entre jovens nas Forças Armadas. “Envolvemos pessoal na prevenção e buscamos ajudar aqueles que não podem pagar por consultas psicológicas.”
Além do “cantinho do desabafo”, Thiago menciona relatos em escolas sobre bullying e outros problemas emocionais. “Em Brasília, temos atendido aproximadamente 5 mil pessoas ao longo dos últimos anos”, afirma. Com uma equipe de voluntários, 15 psicólogos disponibilizam seu tempo para o atendimento regular.
Entre os voluntários, Juliana Cei, 38 anos, afirma que encontrou uma nova paixão pela sua profissão, oferecendo apoio aos necessitados durante seu tempo livre, além de sua ocupação organizacional.
“Atualmente, estamos enfrentando uma crise de saúde mental generalizada, e há um aumento considerável na solidão, tornando as oportunidades de interação mais raras.”
Ela observa que, ao conectar-se com este projeto, notou que muitos jovens carecem de momentos de qualidade com seus familiares, o que os torna mais propensos a crises emocionais.
Semear Mudanças
Juliana também nota um crescimento significativo no número de mulheres buscando apoio. “Ouvir essas histórias sensíveis com atenção é essencial.”
Lembrando de um episódio tocante, ela relata uma interação com uma adolescente que havia questionado sobre a psicologia. “Isso acaba por plantar uma semente naqueles que estão sofrendo, fazendo-os pensar em se tornar voluntários também.”
Escutando as Inseguranças
Lucas Hedler, psicólogo de 45 anos de Brasília, envolve-se no voluntariado para auxiliar outras pessoas da comunidade trans. “Decidi criar um grupo de apoio para partilhar inseguranças e promover um espaço seguro”, revela.
Ele lamenta os ambientes familiares que, por vezes, podem ser mais desafiadores que o mundo exterior para a comunidade LGBTQIA+.
Lucas também expressa interesse em atender aqueles que passaram por traumas. “A pandemia trouxe enormes desafios à comunidade trans, resultando em agressões e pessoas sendo expulsas de casa.”
Ele está se especializando em autismo, dada a alta incidência desse transtorno na população trans.
Para quem busca atendimento psicológico, existem recursos gratuitos disponíveis:
CVV: Centro de Valorização da Vida – Ligue 188
Rede de Atenção Psicossocial do SUS
Fonte: Agência Brasil/EBC








